IMPLANTES HORMONAIS SUBCUTÂNEOS

As terapias com implantes hormonais usadas para contracepção e supressão da menstruação sempre foram controversas. Agora, que tem proliferado a sua aplicação para fins estéticos e anti-envelhecimento, estão mais controversas ainda.  Basta o paciente apresentar sintomas de queda de libido ou de cansaço, que aparece algum médico prescritor de hormônios para dar a receita  mágica dizendo que faz uma “Medicina Moderna”.

Os Implantes hormonais subcutâneos (ou subdérmicos),  conhecidos como o "Chip da Beleza", "Chip da Moda" ou "Chip da Força" são tubos de 4 a 5 cm e comportam um coquetel de hormônios que é inserido no corpo da pessoa, sob a pele, normalmente na região glútea ou sob os braços,  e tem a função de liberar pequenas quantidades de hormônios na circulação sanguínea por um período que geralmente vai de 6 a 12 meses. 

O custo médio desse tratamento fica em torno de R$ 6.000 por aplicação.  Por não ser aprovado por nenhum órgão de saúde competente,  os planos de saúde não cobrem essas terapias e nenhum hospital público realiza esses tratamentos.  

OS RISCOS DAS TERAPIAS COM IMPLANTES


Esses implantes são questionados por não terem sua eficácia comprovada através de estudos científicos sérios.   De fato esses implantes chegam a ser muito mais perigosos do que as terapias tradicionais de reposição hormonal com pílulas e gels.

Dentre os diversos riscos que esta controversa terapia traz,  selecionamos os seguintes:

1) Exposição do organismo por longos períodos a injeção de drogas, e sem acompanhamento clínico adequado

Normalmente as clínicas que comercializam essas terapias implantam o chip e orientam que o paciente retorne de 6 meses a 1 ano para repor o implante (e pagar novamente os 6.000 reais).  

Assim o paciente segue expondo seu corpo a longos períodos de uma dosagem contínua de hormônios sem acompanhamento clínico algum.  Se por exemplo, o organismo do paciente não precisar mais da reposição daquele hormônio,  o implante continuará injetando a substância no seu organismo, nesses casos a superdosagem pode causar danos gravíssimos a saúde do paciente.

Além disso, se um tumor maligno se desenvolver ou qualquer outra reação assintomática grave acontecer, como não foi identificada a tempo, talvez seja tarde demais para agir. 

Se ao menos essas clínicas se propusessem a efetuar exames minuciosos periódicos, agindo de forma proativa e responsável, esses riscos seriam minimizados.  Mas devido a generalização e comercialização em massa dessas terapias, o acompanhamento clínico dos milhares de pacientes é geralmente negligenciado. Simplesmente não vale a pena


2) Devido à biodisponibilidade 
e bioatividade variáveis, tanto a subdosagem como a superdosagem são possíveis.

Esse alerta foi levantado pelo American College of Obstetricians and Gynecologists.  A biodisponibilidade é a medida da quantidade de medicamento, contida em uma fórmula farmacêutica, que chega a circulação sistêmica e indica a velocidade e a extensão da absorção do princípio ativo.  Já a bioatividade representa o efeito desse princípio ativo no organismo. 

A concentração de hormônios do sistema endócrino do corpo humano não é uma constante,  ou seja, a liberação de hormônios naturais ocorre conforme o organismo necessitar.  Tanto a biodisponibilidade quando a bioatividade são variáveis. Os implantes hormonais trazem um sério risco, tanto de subdosagem como de superdosagem desses princípios ativos.  As consequências da superdosagem de testosterona em mulheres, por exemplo, podem ser catastróficas para o corpo humano.


3) A falsa afirmação de que hormônios bioidênticos manipulados são mais seguros


Negociantes de medicina de que comercializam  essas terapias costumam afirmar que seus hormônios possuem efeitos colaterais mínimos. Os mais irresponsáveis chegam a afirmar que não há efeito colateral algum, pois se tratam de "hormônios bioidênticos".  O que é uma inverdade absurda. 

O termo "bioidêntico" é um mero jargão mercadológico sem valor médico ou científico algum.  

Vamos deixar claro uma coisa: O único hormônio natural é aquele produzido pelo seu próprio corpo. Associar o fato de serem comercializados com a marca de "bioidênticos" com a suposta inexistência de efeitos colaterais é uma mentira irresponsável e inconsequente.  

É semelhante a indústria de certos alimentos que exploram a marca "orgânicos" mas que na verdade são produtos transgênicos, usam agrotóxicos no seu cultivo,  e passam por processos industrializados na sua fabricação.

As clínicas que fazem esses tratamentos com implantes hormonais geralmente utilizam hormônios manipulados. O que pode ser ainda mais arriscado do que os hormônios sintéticos produzidos pelas indústrias farmacêuticas

Isso acontece porque essas substâncias manipuladas não são controladas pela ANVISA e portanto não são sujeitas aos rigorosos controles de pureza e qualidade dos órgãos de vigilância sanitária, que são obrigatórios nas drogas industrializadas

Segue abaixo o parecer da ANVISA em relação as drogas manipuladas com o jargão de "bioidênticos":


"No registro de medicamentos a ANVISA avalia a forma de obtenção dos hormônios, se por uma rota sintética, por rota biotecnológica ou por extração sendo então o método de obtenção utilizado para a definição da legislação e categoria a ser utilizada no registro de um medicamento, se será um medicamento biológico, medicamento sintético etc. 
O termo hormônio bioidêntico não é utilizado pela ANVISA em suas legislações de registro de medicamentos."

Ou seja, afirmar que os hormônios bioidênticos manipulados são aprovados pela ANVISA é mentira.  

Esse mesmo dilema acontece nos Estados Unidos,  por isso o FDA americano emitiu um alerta para informar quem pretende se arriscar com esse tipo de substância.  

 
"O FDA não reconhece nenhuma evidência científica confiável que suporte as alegações sobre a segurança e eficiência das drogas manipuladas "BHRT" (Terapia de Reposição Hormonal Bioidêntica) 



4) Prescrições incorretas

Raramente essas clínicas informam ao paciente a dosagem e quais substâncias estão sendo injetadas no seu organismo, falam de forma vaga, algumas usam jargões próprios como "G3", "G6", "G7". E não há bula dos medicamentos utilizados.

As clínicas que massificam a comercialização de implantes hormonais raramente avaliam adequadamente o paciente com exames complementares, e com isso há o risco do paciente receber hormônios que não precisa. 

Estas prescrições incorretas, ao invés de ajudar,  podem prejudicar gravemente a sua saúde.  

A injeção de hormônios que o paciente não precisa pode causar sérios danos ao organismo. Principalmente a aplicação de testosterona em mulheres.

Na dúvida, procure sempre ouvir a opinião de outros médicos, principalmente de Endocrinologistas,  antes de se submeter a esses tratamentos.  

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para os "negociantes de medicina" e para as agências funerárias...