Livia era uma pessoa maravilhosa, extremamente ativa, saudável, um exemplo de mãe, esposa e avó. Um ser humano magnífico que marcou a vida das pessoas pelo bem que fazia a todos ao seu redor.

Ela tinha uma saúde de ferro,  não fumava, não bebia, sempre praticou esportes,  sua dieta era rica e saudável,  detestava frituras e coisas gordurosas.  E ela era a guardiã da saúde da família inteira.  Todos os anos ela nos obrigava a fazer um checkup completo.

Lívia faleceu no dia 5/12/2015, no Hospital da Beneficência Portuguesa em São Paulo, com quadro de necrose aguda do fígado que levou a falência múltipla dos órgãos.

Em 2014,  já com 50 anos de idade,  ela sentia os desconfortos da menopausa, principalmente a redução da libido e cansaço físico. Motivada por amigos ela aproveitou uma viagem e procurou uma clínica especializada em tratamentos anti-envelhecimento e menopausa em Salvador.   

Preocupada em não colocar sua saúde em risco,  ela buscou uma luxuosa clínica de um famoso médico baiano.  O tratamento era caro, mas ela não poupou recursos pois queria o melhor que a medicina lhe pudesse oferecer. O médico foi categórico que os riscos a saúde eram mínimos, pois iriam utilizar "hormônios bioidênticos".

Nessa clínica lhe aplicaram um implante subcutâneo com um coquetel de hormônios. Um tubo de silicone que muitos chamam de "Chip da Força".

No dia em que foi atendida, ela me comentou que ficou impressionada com a quantidade de mulheres que também esperavam para implantar esse chip.  Eram mais de 20 aguardando na recepção.

Os resultados foram imediatos,  ela aumentou sua libido e passou a ter mais disposição para praticar esportes.

Porém o conteúdo exato, os tipos de hormônios, e as doses a serem liberadas no seu organismo nunca lhe foram informadas.  A única recomendação foi que retornasse em um ano para repor o implante.

Em meados de 2015 ela retornou a essa clínica para repor o implante,  só que dessa vez ela já não sentiu a mesma reação imediata de antes.  De fato ela sentiu certo desconforto com o implante,  mas a clínica lhe disse que era tudo normal que logo iria passar.

No início de Outubro,  ela começou a apresentar um quadro de indisposição, perda de apetite, gosto amargo na língua, e após 5 dias seus olhos apresentaram um fundo amarelado.

No dia seguinte ela foi internada no Hospital São Luiz em São Paulo, onde diagnosticaram que ela tinha pedras na vesícula, e a submeteram a uma operação para a retirada da vesícula. 

Ela retirou a vesícula e chegou a ter alta médica. Porém as náuseas e a sensação de mal estar persistiram. Ela retornou ao hospital e se submeteu a nova bateria de exames. 

Os médicos constataram que seus níveis hormonais estavam muito estranhos. Sua leitura de  testosterona estava altíssima, duas vezes maior do que a de um homem.  E desconfiaram do tal implante.  A equipe médica do hospital entrou em contato com o médico baiano, porém este apenas afirmou categoricamente que seus implantes não tinham "nada a ver" com o quadro de Lívia, mas que se fosse o caso "era só ela passar lá que ele retirava o implante". Demonstrando absoluto descaso.

A equipe médica decidiu então extrair imediatamente o implante subcutâneo,  porém já era tarde demais,  sua saúde deteriorava dia após dia.  Seu fígado estava comprometido e ela foi transferida para o Hospital da Beneficência Portuguesa em São Paulo, especializado em transplantes de fígado.  Sua saúde estava muito ruim, seu abdômen extremamente inchado e sua pele totalmente amarelada.  A dor e o desconforto eram insuportáveis

No dia 4 de Dezembro ela foi incluída no topo da lista brasileira da fila de transplantes de fígado e deu entrada no CTI.  Mas infelizmente no dia seguinte ela sofreu parada cardiorrespiratória e falência múltipla dos órgãos, vindo a óbito.

Eu me reuni com todos os médicos endocrinologistas e hepatologistas que a trataram,  e a opinião unânime foi de que o bombardeio diário de testosterona e outros hormônios durante um ano e meio teve participação no processo que levou ao comprometimento de suas funções hepáticas, causando um sofrimento terrível seguido de óbito fulminante.  

"Existe plausibilidade biológica da associação do uso inadequado de hormônios sexuais (esteroides sexuais) e de doença hepática". Foi o que me disseram.

Minha família está devastada com a perda da mãe, esposa, avó e amiga.  Meus filhos estão órfãos, meus netos sem a avó querida e eu viúvo.  Uma situação que não desejo a nenhuma família.  

A dor da perda da minha esposa, companheira e melhor amiga é absolutamente insuportável. 

Na busca angustiante de tentar entender o que aconteceu com Lívia,  eu me deparei com uma indústria irresponsável que induz as pessoas a utilizar hormônios de forma inconsequente com a promessa de resultados milagrosos. E só agora tomei conhecimento das inúmeras controvérsias que envolvem estes tratamentos absurdos.   

Lívia foi uma vítima inocente,  pois foi induzida a usar implantes hormonais sem saber das consequências e possíveis efeitos colaterais desse tratamento absolutamente arriscado.  Também foi informada que estaria usando hormônios bioidênticos que não causam efeitos colaterais, outra inverdade grotesca pois o termo bioidêntico nada mais é que uma jogada de marketing para mascarar drogas manipuladas e perigosas. 

O tratamento com implantes subcutâneos por longo prazo é altamente controverso e desaconselhado por vários médicos e entidades de saúde sérias,  pois não há como garantir a pureza e eficácia dessas substâncias manipuladas e nem a quantidade segura a ser injetada no organismo.  

O "negociante de medicina" que fez os implantes não realizou um acompanhamento clínico adequado que pudesse identificar a tempo as reações adversas e os efeitos colaterais dos seus tratamentos com implantes hormonais.  E na época em que nos ofereceu os seus implantes ele omitiu os riscos e perigos deste tratamento absurdo. Para este "monstro" a morte de Lívia foi apenas a perda de uma pequena margem do seu lucro. Ninguém de suas clínicas sequer se interessou em tomar conhecimento das circunstâncias do falecimento da Lívia. 

Por fim, nós não sabíamos que haviam outras opções de tratamentos muito mais seguros e eficazes para amenizar os efeitos da menopausa.  

Porém agora é tarde,  Lívia desencarnou,  contudo não é tarde para você salvar uma vida.

Se você conhece alguém próximo, um parente ou amigo,  que esteja querendo usar implantes de hormônios, peço que divulgue essas informações,  para que não sinta remorso se este vir a ficar doente ou morrer.    

As pessoas que após lerem o que está divulgado e comprovado nesse site decidirem usar implantes hormonais de forma irresponsável, para estas eu peço a misericórdia de Deus. Pois poderão se tornar suicidas.

O nosso corpo é um presente de Deus,  a morada temporária do nosso espírito.
É nossa obrigação cuidar bem da nossa casa.

Celebração da vida de Lívia - Praia de Inema em Salvador/BA

Fique com Deus querida Lívia.  Te amaremos sempre.  E esperamos um dia ter o merecimento para o reencontro no plano espiritual. 

Ricardo, Mariá, Yoná, Alice, Sérgio, Elvira, Carlinhos, Quintino, Vitória, Sergio, Donizette, Gabriel, Walter, Patrícia, Katia, Dadá, Pita, Adriana, Fabiano, Mônica, Miguel, Beth, Tchuco, Mel, Lulu, Gigi, Virgílio e toda a nossa querida família e amigos.

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"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, 
se não tiver caridade, 
sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, 
e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; 
mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, 
se não tiver caridade, não sou nada.

Ainda que distribuísse todos os meus 
bens em sustento dos pobres, 
e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, 
se não tiver caridade, de nada valeria!

A caridade é paciente, a caridade é bondosa. 
Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. 
Não é arrogante. Nem escandalosa. 
Não busca os seus próprios interesses, 
não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça, 
mas se rejubila com a verdade.

Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade. 
Dessas três. Porém, a maior delas é a caridade". 

Paulo de Tarso